quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Escolha sua vida, renove sua energia e viva melhor!

   Acordei cansada, com aquela sensação de gripe... depois de uma semana de muito trabalho nos dias que antecedem o Natal, absorvendo esse ritmo acelerado do mês de dezembro e dormindo muito pouco, tudo que queria era permanecer deitada, descansando, pensando o mínimo possível. Mas vivo no ritmo acelerado das crianças, que acordam cheias de energia e querem viver plenamente cada minuto.

   O dia estava muito quente, até banho frio tomamos, então a solução era praia. Busquei aquela energia lá de dentro para levá-los enquanto meu marido finalizava seu ano de trabalho.
   E lá fomos nós... com lanche, cadeira, baldinho, alegria das crianças e pensamento positivo meu!
   Quando cheguei à praia, coloquei meus pés na areia, olhei para o mar, senti aquela brisa refrescante e aquele barulho envolvente das ondas, tive um relaxamento profundo. Até minha respiração mudou... A única coisa que conseguia falar era: “que bom estar aqui, que delícia...” Foi um momento único, uma mudança no meu estado físico e nas minhas emoções.
   Logo em seguida preparamos o lanche em cima da canga e quando vi meu filhos estavam sentados contemplando o mar e comendo frutas, felizes, alegres, com a alma preenchida assim como eu. A praia se fundiu a eles e a paisagem ficou perfeita, inspirou-me ainda mais.


   Fiquei pensando na junção de situações, momentos e emoções que renovam nossa energia. Quais as combinações perfeitas, o que faz a gente se sentir plenamente renovado. Nem sempre esses pontos estão conectados e presentes simultaneamente, mas se tivermos consciência disso é possível tentar agrupá-los para que a nossa renovação interior seja completa!
   Percebi que a praia renova minha energia instantaneamente e às vezes esqueço do poder que ela tem em produzir isso em mim. Meus filhos também renovam minha energia, mas às vezes também esgotam e nem sempre eles estão ligados a outros fatores que me restauram. E perceber isso gerou um autoconhecimento das minhas necessidades, de como elas podem ser supridas e como algumas coisas não necessariamente esgotam a energia, apensas não estão sincronizadas com outros elementos restauradores.


   Perceber essa possibilidade, a capacidade de conhecer seus limites,ajuda a descobrir quem você é e suas necessidades para ter uma vida mais plena, vigorosa e cheia de vitalidade.

   Você sabe quais suas fontes de energia e como elas podem ser agrupadas para potencializarem sua vitalidade interior? Invista tempo em recolher seu olhar, voltar-se para dentro e perceber quem você é. A partir do momento que isso acontece você será melhor para os outros também!

Escolha sua vida e viva melhor!!!

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Movimento, ação e um ressignificado do mundo!

   Estou a uma semana de comemorar seis anos de maternidade, com o aniversário do Nathan. Essas comemorações sempre geram reflexões, retrospectivas e felicidade. E neste novo ano, que já iniciou em julho com o aniversário de dois anos da Ágatha e posteriormente com o meu aniversário, comecei a caminhar em um novo eixo, que não me distancia de exercer a maternidade plenamente, mas que traz a minha ressignificação neste mundo como ser humano, como uma mulher, como uma pessoa que um dia existiu e que agora se reconstrói frente a essa metamorfose materna.
   Desde que tive filhos passei por transformações profundas, cada dia lidando com sentimentos, dosando emoções e vendo nas crianças uma oportunidade de olhar o mundo diferente. Entretanto, essas mudanças estavam sempre ligadas diretamente a elas. Nos últimos meses essas mudanças alcançaram a minha individualidade, que muitas vezes se perdeu e se confundiu nesse papel tão intenso de mãe.
   Estou resgatando sonhos, auto-estima, percepção de mim mesma e valores. Estou descobrindo paixões, ativando emoções e mudando pensamentos. Não há um tempo certo para isso acontecer. Acredito que nunca seja cedo ou tarde. O que penso é que esse processo é inevitável, natural e necessário para qualquer mulher que se torna mãe. Mas para isso acontecer há necessidade de movimento, uma ação concreta, um direcionamento de ações para que tudo comece a se desenrolar e florescer. Inicialmente parece obscuro e sem direção, mas a medida que essa jornada começa não há como parar. O mundo precisa de mim e essa necessidade vai além de meus filhos. O copo esta cheio, precisa transbordar, isso traz vitalidade e um verdadeiro significado em viver. Muito mais do que viver para os seus e guardar para si é compartilhar com o mundo!
   Fiquei pensando sobre esse movimento, essa ação tão natural para as crianças e, muitas vezes, tão custosa para os adultos. Percebi que a criança naturalmente se movimente e está em ação. Seja para brincar, criar, imaginar, construir... Tudo que ela faz tem movimento, tem fluidez. Não há energia parada, movimentos rompidos, músculos travados, pensamentos comprimidos. Tudo flui naturalmente com uma movimentação perfeita e equilibrada, tornando-a cheia de vitalidade e vibrante.



   Já o adulto tende a estagnar sua energia, travar pensamentos, mover-se o mínimo possível e fazer o que for mais fácil e cômodo. Como alcançar felicidade plena, vitalidade, gosto pela vida com esse tipo de ação? Confesso que há muitos fatores que nos levam a essa inércia, mas certamente há muito mais fatores que nos levam a ações, começando pelo exemplo e inspiração que desejamos ser para nossos filhos. Será que estamos sendo um exemplo digno de ser imitados por nossas crianças? Será que estamos sendo o máximo que podemos ser de nós mesmos? Estamos correndo com a maior velocidade, abrindo nossas asas para alçar os melhores voos?
   Perceber isso é um processo de autoconhecimento que para mim começou com sentimentos descontrolados, pensamentos desordenados os quais, aos poucos, foram tomando forma e adquirindo clareza.

   A natureza também demonstra essas ações com bastante clareza e plenitude. Tudo que há nela sempre está em movimento, como o balançar das árvores, o cair das folhas, o florescer, o desabrochar das flores... Todo dia a natureza está diferente, mesmo que uma árvore permaneça sempre no mesmo lugar, um dia cai uma folha, no outro dia o vento balança seus galhos e assim ela segue mudando e se moldando neste universo que a rodeia. Quando está pronta, a rosa abre-se para o mundo e suas pétalas exalam um perfume que é sentido de longe com muita singularidade. Quando não cabe mais em seu interior, abrir-se para o mundo torna-se necessário e esse movimento exala um perfume único!
   Meu filho chegou ao mundo há seis anos e trouxe consigo um olhar amoroso e cheio de afeto. Ensinou-me a beleza da maternidade e a descoberta de uma mãe cheia de ideias e vontades com determinação para buscar uma educação humana e cheia de amor.
   Ágatha chegou intensa, mostrando com determinação e sem meias palavras o que ainda precisava ser mudado em mim. Com ela percebi que minha casa precisava ser limpa, pois ainda havia muita sujeira embaixo do tapete que precisava ser removida. Difícil de aceitar, difícil de perceber! Mas este ano compreendi mais claramente esse processo e entendi que seu nome, por si só, já explica sua vinda ao mundo: uma pedra preciosa, que para mostrar sua beleza precisa ser lapidada, sair do estado bruto e transformar-se em uma pedra cheia de luz e beleza.
   E é assim que me vejo, uma pedra que passa por esse processo de lapidação para que possa transmitir beleza e refletir luz para o mundo. Um processo intenso, profundo, que começa na alma e reflete no meu sorriso, que inicia nos pensamentos e transforma minhas ações, que começou com raiva e se transformou em amor. Amor esse que quer contagiar o mundo, alcançar pessoas, transformar, inovar... Um amor que quer voar... para longe, para perto, para onde o vento guiar! Só quero que ele vá e alcance outros corações!
    Amor que voa, amor que nasce. Renasce em mim, nasce em você. Voa de mim e chega até você...


"...Alegria indizível
Fé inafundável
Amor imparável
Tudo é possível...


...Sabemos que fomos feitos para muito mais
Do que vidas comuns
É hora de mais do que apenas sobreviver
Nós fomos feitos para prosperar..."



Thrive (tradução) - Casting Crows

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Uma esponja na imensidão do mar

   Dia lindo de sol, vontade de ficar na rua e absorver todo o calor em pleno inverno. E a ideia que nunca é esquecida surge: ir a praia! Depois de muitas tentativas, todas canceladas pelo frio e chuva que insistiam em aparecer quando nos programávamos para ir, hoje, sem programação nenhuma fomos à praia!
   Toda aquela preparação para ir, check list para ver se nada tinha sido esquecido, baldinhos, boia de tartaruga, lanche e esteira, enfim nossos pés afundaram na areia, nosso olhar se perdeu no mar e nosso corpo brilhou no sol.
   Eu estava ali, para mais uma tarde com as crianças. Decidi não levar nenhum trabalho, pois às vezes absorver o momento, acrescenta mais do que tentar trabalhar e se divertir ao mesmo tempo. Fui de corpo e alma, para relaxar meus pés naquele horizonte exuberante e oxigenar minhas células com a energia do mar. Só isso já bastava, a praia por si só já me renova, mas além disso tive uma aula com meus filhos enquanto esticava meu corpo na esteira e via-os em movimento naquela paisagem incrível.
 Aprendi sobre concentração. Eles trabalharam muito com seus baldes e pás. Encheram e esvaziaram seus baldes inúmeras vezes, totalmente focados no que estavam fazendo, jogando areia para um lado, água para outro, colocando areia no trapiche, depois o limpando com água. Mãos que se sujavam e se limpavam no vai e vem de areia e água. Olhares atentos ao que estavam fazendo sem se distrair com o que estava ao redor. Eu me transformei num mero elemento da paisagem que os contornavam e eles, ativos e em movimento só pararam para lanchar e mais tarde ir embora.
   



  

   Aprendi sobre liberdade. O movimento livre do corpo, a dança das mãos, o sorriso espontâneo, a liberdade da mente e da alma em viver aquele momento com intensidade. A liberdade de ser quem você é e ser criança na sua totalidade. Liberdade para se sujar por inteiro e depois se limpar, achar beleza em tudo, até numa tampinha de garrafa esquecida na areia. Liberdade de viver, ser, sentir, observar, se divertir e mover-se para onde deseja ir.




   Aprendi também a relaxar. Estar naquele momento por inteiro, de corpo, alma e coração, sentindo a areia, o silencio que é interrompido pelo barulho da gaivota ou de um barco passando, o vai e vem das ondas, a consistência da areia, a brincadeira das crianças e o repouso da minha mente naquela paisagem que me acolheu nessa tarde, com um sol que me energizou e um mar que me transformou.
   O relaxamento é muito mais do que um passeio em um lugar incrível, como aconteceu hoje. Esse relaxamento deve nos acompanhar diariamente, mas ele só toma conta do nosso corpo se estamos inteiramente no momento presente. Posso relaxar enquanto lavo uma louça e tenho alguns minutos quieta, quando troco a fralda do filho e aproveito para fazer brincadeira e desfrutar daquele tempo com ele ou quando executo algum trabalho. Relaxar não é colocar os pés para cima e não fazer nada. Alcançamos um verdadeiro relaxamento quando focamos nossa mente no que estamos fazendo, repousamos nossa alma naquela atividade e posicionamos nosso coração naquela ação que esta sendo executada. Isso renova as energias, pois estamos inteiramente no presente. O que passou não faz parte deste momento e o que virá ainda não chegou, por isso não importa. Viver dessa forma nos impulsiona para frente, nos da um novo entendimento do mundo e nos ajuda a ter certeza de quem somos, do que queremos e auxilia nossos próximos passos.
   Viver assim é um grande desafio, pois nossa mente vive em um vai e vem de pensamentos. Ao conviver com crianças percebemos essa atitude constantemente, pois suas mentes existem para o presente, seus corpos se movimentam no agora e sua alma absorve o hoje.
   Nessa aula que tive com meus filhos percebi que há seis anos me transformei numa esponja e vivo numa condição de absorção total desse universo infantil. Observar meus filhos brincando, ouvir suas historias e ver suas atitudes frente a determinadas situações me ajuda a dar o próximo passo. Acredito que essa busca por absorver o que vem deles é uma tentativa de me concentrar mais nas minhas atividades, adquirir uma liberdade que já tive e se perdeu ao longo dessa caminhada chamada vida e relaxar em cada situação que vivo, diminuindo assim uma vivencia interna de ansiedade que carrego há tantos anos.
   Essa imersão nesse infinito mar trouxe-me a certeza da missão que tenho como mãe e educadora dos meus filhos. Inicialmente era só uma sensação, já que tinha me tornado mãe estava cumprindo com meu dever. Mas neste ano tive uma certeza muito grande de que este papel não era somente um dever de mãe, mas sim uma missão de vida a ser cumprida e para isso deveria ser executada com toda a dedicação e afinco. A partir do momento que essa certeza tomou conta do meu ser obtive clareza das minhas atitudes até então e força interior para mudar o que ainda é necessário. Essa certeza trouxe-me paz e motivação para continuar educando meus filhos e absorvendo deles o que ainda meus poros conseguem absorver.


   Sinto que estou enchendo, inflando, meus poros estão quase preenchidos. O que vem a seguir é ser esmagada, apertada, comprimida para que essa água escorra de dentro dessa esponja e inunde outros corações. Não sei como será esse processo, o que vem a seguir. No momento tenho apenas sensações, sentimentos e vontades que me cercam. Mas, se essa inundação for semelhante a que vivi, será transformadora. A imensidão do mar molhando os grãos de areia...


Ah! Se o mundo inteiro me pudesse ouvir
Tenho muito pra contar
Dizer que aprendi

E na vida a gente tem que entender
Que um nasce pra sofrer
Enquanto o outro ri

Mas quem sofre sempre tem que procurar
Pelo menos vir a achar
Razão para viver

Ver na vida algum motivo pra sonhar
Ter um sonho todo azul
Azul da cor do mar
(Tim Maia)

sábado, 14 de maio de 2016

Dia especial





"Se alguém já lhe deu a mão

E não pediu mais nada em troca

Pense bem, pois é um dia especial..."  


   Mês de maio chegou e com ele o dia das mães, uma data comercial que traz vídeos, fotos, propagandas e relatos relacionadas a maternidade. Muitas delas irreais, utópicas, outras bastante reflexivas e poucas mostrando a realidade do que é viver a maternidade em sua plenitude. Não espero o melhor presente nem guardo todo o meu amor para o dia das mães, afinal, mãe é todo dia, amor também e certamente o melhor presente é a felicidade dos filhos. Mas é inevitável pensar na maternidade com tantos textos e vídeos bonitos que aparecem e nos levam a reflexão. Às vezes estou tão inserida na rotina, com preocupações e afazeres que esqueço a mãe que sou, o quanto me dedico, amo e sou especial. É bom lembrar e receber uma overdose de mimos.


   
   Costumamos fazer algum passeio nesse dia, sem muito glamour e presentes, apenas um momento gostoso para passarmos juntos. Este ano, além de conhecer novos lugares pude degustar lanches gostosos que não costumo comer por conta das minhas intolerâncias alimentares. Tomar um chocolate quente e ver meus filhos correndo e brincando foi um momento muito feliz. Aqueles momentos simples da vida que ficam marcados no coração. E por falar em coração também ganhei um presente especial, que nem imaginava, dois pingentes para “carregar as crianças” pertinho do coração. Já tinha o menino, mas não tinha encontrado a menina igual. Procurei, depois ia mandar fazer e no final não fiz nada. Então meu marido me deu o menino e a menina, bem no dia que tinha decidido colocar um pingente de coração, que tinha ganhado dele em outro momento, já que não tinha a menina ainda. Sabe aquele presente totalmente inesperado que você queria muito? Foi esse! Fiquei muito feliz! E assim aproveitamos o dia, com momentos significativos que ficarão guardados no coração.



"...O amor é maior que tudo
Do que todos, até a dor se vai
Quando o olhar é natural..."







   Acredito numa maternidade simples, vivida com paciência, amor e dedicação. É uma missão e não simplesmente um desejo de ser mãe que você quer realizar. A dedicação mais intensa é por um momento e não a jornada inteira. Logo os filhos voarão sozinhos e você apenas apreciará seus voos. A paciência se esgota e se renova a cada sorriso que você recebe. O cansaço pode ser minimizado com uma xícara de café ou com um passeio na natureza, onde as crianças vão descobrir o mundo e você vai perceber que ainda tem muito desse mundo para descobrir. A inspiração muitas vezes parece ir embora, mas do nada surgem brincadeiras que você nem imagina. Um lanche diferente pode ser apenas frutas cortadas de outras formas ou colocadas em potinhos diferentes. Isso deixara o lanche especial! Inventar músicas pode ser a solução para o tédio, a causa de muitas risadas ou a razão para uma frase do tipo “para de cantar, mãe”. Suas roupas e sapatos são altamente visadas pelos filhos, os utensílios de cozinha comumente transformam-se em baquetas, as almofadas do sofá possuem imãs e são atraídas pelo chão. O despertador com a musiquinha “mamãe” ou “papai” toca todos os dias sem a possibilidade de apertar o “soneca”. E sua casa não esta mal arrumada, apenas está decorada por crianças: possui brinquedos nas prateleiras da estante, alguma coisa jogada no chão, roupas fora do lugar, desenhos, ou nas paredes ou pendurados nas paredes, vários serviços domésticos por fazer. E tudo isso apenas reflete o que é viver a maternidade no dia a dia, vivendo com o que se tem, sendo feliz com o que realmente traz felicidade.



"...Mas te vejo e sinto
O brilho desse olhar
Que me acalma
Me traz força pra encarar tudo"




   Não existe maternidade perfeita, com mães sorrido o tempo todo, bem arrumadas e dispostas. Na maternidade real, temos dias inspirados, cheios de energia e outros nem tanto, com pouca paciência, muitas preocupações e filhos solicitando nossa atenção a todo instante. Nem tudo é como gostaríamos, nem sempre fazemos como gostaríamos. Somos humanas e mães são seres de carne e osso que possuem limitações, mas muitas vezes vão além de seus limites. E acho que aí esta a beleza dessa experiência incrível, descobrir que você pode ir muito além do que imaginou, seja no sono, nas ideias, na alegria, na criatividade, no amor, na paciência, nas histórias, na inspiração, nas mudanças, no pensamento e em tudo mais que a maternidade exigir de você. Terminar o dia lembrando de uma ideia incrível que você teve para uma brincadeira ou de um lanche comum que foi muito especial por ser no quintal, produz inspiração, gera amor, faz o dia ser mais feliz, aumenta a esperança de uma mãe melhor, de um filho melhor, de um mundo melhor. É disso que precisamos um mundo melhor e esse será construído por nossos filhos!


"Sua mãe está sempre com você, ela é o sussurro das folhas quando você anda na rua, o cheiro de certos alimentos que você se lembra, as flores que você escolhe, a fragrância da própria vida. Ela é a mão fresca em sua testa quando você não está se sentindo bem, ela é sua respiração no ar em um dia de inverno frio. Ela é o som da chuva que acalma e faz adormecer, as cores de um arco iris, a noite de natal. Sua mãe vive dentro da sua risada . Ela é o lugar da onde você veio , sua primeira casa, o mapa que você segue com cada passo que você dá. Ela é seu primeiro amor, sua primeira amiga, ate mesmo sua primeira inimiga, mas nada na terra pode separar vocês. Nem o tempo, nem o espaço, nem mesmo a morte."

...^...

domingo, 17 de abril de 2016

Segundo outono

   Mais um outono chegou e pela segunda vez estamos acompanhando o cair das folhas, o entardecer mais cedo e as deliciosas laranjas da nossa “roça”. Já faz um ano que estamos aqui, morando numa casa com quintal, aprendendo, desfrutando, apreciando e vivendo imersos na natureza!
“Tenho vivido em paz
Voltado a ser criança

E agora, todo dia
O sol invade
A minha vida...”

   Moramos numa casa simples, telhadinho duas águas, cerca de arame, casa construída com pouco planejamento e muitas imperfeições. Por todos os lados vemos canos e fios aparentes, coisas que funcionam e depois deixam de funcionar, mas que logo em seguida funcionam novamente. Aqui, há muitos degraus, em quase todos os cômodos, devido aos desníveis da casa. Isso faz dos nossos filhos muito ágeis, ao contrário de mim que fico cansada de tanto sobe e desce.
   A perfeição vem da natureza, que circunda esta casa com uma mata nativa, árvores frutíferas antigas e uma vegetação quase que intocável. Um entorno encantador e quase não visto nesta ilha onde muito se constrói e pouco se preserva. É aqui que vivemos e vemos o mundo com um novo olhar...



   Nesse último ano pude aprender sobre a natureza muito mais do que na minha vida inteira e adquiri maior conhecimento que meus cadernos de escola ofereceram. Observei a mudança na posição do sol ao longo das estações, o cair das folhas e florescer das árvores, as noites longas, os dias longos, o vento forte, a chegada do inverno, o mofo vindo da umidade, a infinidade de insetos que existe, como cada árvore tem folhas diferentes, o trabalho incessante das formigas carregando alimentos. Enfim, eu vivencio os ciclos da natureza e cada vez mais me sinto inserida nela.
   Também vi muitas belezas... uma teia de aranha cheia de gotinhas da chuva que mais parecia uma renda decorando o quintal. O ciclo da lagarta e da borboleta que acompanho todos os dias quando passeio pelo quintal com minha filha no sling para ela tirar uma soneca. As flores de laranjeiras que transformaram meu quintal num lindo tapete branco e perfumaram minha casa na primavera. A lua cheia que clareia nossas noites como uma grande e forte luz.

“...Andar descalça faz
Parte do que mais gosto
E simplesmente amar
É nisso que eu aposto...”

   Aqui a beleza é intensa, tudo tem vida, cor, cheiro, movimento. Nada é parado, tudo tem seu momento e seu ritmo. A natureza é respeitada e move nossos dias. Quando morava em apartamento, uma simples formiga incomodava e atrapalhava aquela paisagem estática e monótona. Nessa casa cada ser vivo tem sua razão para existir, teu seu valor e naturalmente é respeitado. Paramos para ver as formigas caminhando, os pássaros cantando, a abelha fazendo o mel... Quando estamos na natureza, tudo que vem dela tem mais valor. Nossa música vem do quintal, com cigarras e pássaros cantando diferentes músicas ao longo do dia. Inspiração para o trabalho e para as brincadeiras.

“...Tenho brincado a sós
Tento pegar o vento
E agora, todo dia
Uma rosa invade
O meu pensamento...”

   Também descobri os desafios de uma casa, com areia por todos os cômodos e sofá sempre cheio de pedrinhas que chegam com os pés das crianças. A grama cresce rápido e a cerca viva também! Enfrentamos o mofo que tomou conta de moveis, brinquedos e roupas devido a umidade excessiva. Aprendi a beleza e a dificuldade de ter uma horta, que tenta se reerguer depois de uma linda e custosa colheita de tomates, mas que atualmente está praticamente desativada.

“...Dizer que "nunca mais"
Não digo, é tanto tempo
Mas se eu tiver que chorar
Que seja só um breve momento
Só um breve momento...”

   Morar aqui faz eu ter coragem e enfrentar medos para expulsar bichos indesejados e perigosos, ver meus filhos pularem, correrem, se machucarem e superarem seus limites sem que eu me desespere. Morar aqui faz eu ser quem eu quero ser e o silêncio me ajuda a ter clareza nos pensamentos. Morar aqui me traz paz para educar meus filhos com tranquilidade e criar meus trabalhos com mais inspiração. Morar aqui me faz feliz!


   
   Se eu vivo tudo isso, meus filhos, que estão descobrindo o mundo vivem muito mais. Nathan adotou o pé de figo como sua segunda morada. Molha, cuida, passeia por ele, treina inúmeras acrobacias e colhe os figos. Meu marido traçou alguns bambus que passam entre as árvores e agora o Nathan tem um verdadeiro circuito ao redor do “pé de figos”, como ele chama.

   
   Nathan nas alturas e Ágatha na terra com diferentes experimentos nos potinhos, pás e colheres. Passa longos tempos mexendo e sentindo a terra em suas mãos e pés. Sente a terra seca, molhada, com folhas, pedras maiores, formigas e se concentra nas suas experiências. Faz bolos, pizzas e brigadeiros com seu irmão e eu tenho o privilégio de provar todas essas delicias culinárias!
   Nessa vivência de quintal tivemos muitas experiências... as crianças transformaram o buraco do fogo de chão em pescaria durante o logo período de chuva que tivemos. Com água puderam tomar banho de mangueira, molhar as plantas, pular na poça, tomar banho na caixa d’água, lavar a garagem e brincar na lama. Também construímos... prédios, janela, muro, corrida com obstáculos, barco de pallets, carro com folhas, cabanas, trem com caixa de papelão e tantos outros empreendimentos que agora não lembro.



    Morando numa casa podemos dar espaço para as crianças respirarem, expandirem e contraírem seus movimentos da forma que necessitam, num ir e vir dentro e fora de casa como necessitam e conforme seus corpos precisam se desenvolver. Futebol intercalado com desenhos, corrida intercalada com blocos de encaixar. Uma expansão e contração de movimentos para que o desenvolvimento físico vá ao seu limite de exploração, o corpo gaste muita energia e logo em seguida contraia-se para atividades menos expansivas onde haverá concentração e um tempo quieto para o corpo descansar e absorver todo esse desenvolvimento que teve. Quando há consciência dessa necessidade e espaço apropriado para tal esse movimento flui naturalmente numa rotina livre que caminha nesse ir e vir, dentro e fora, grande e pequeno. Isso deixa as crianças tranquilas, sem excesso nem falta de energia, pois suas necessidades são atendidas e elas crescem conforme seus corpos pedem.




   
   Sei que essa não é a realidade da maioria das pessoas que vivem e educam seus filhos em apartamento. Vivi essa experiência por quase quatro anos e as vezes nem com toda a criatividade e disposição que tinha era possível atender ao que o Nathan precisava. E hoje vejo que o que ele precisava era de espaço ao ar livre em livre demanda, conforme seu corpo precisa e sua alma pede e não com hora marcada no parque ou na pracinha. Tem dias que ele só olha a natureza pela janela, outros passa horas dando voltas no quintal. A Ágatha, às vezes se contenta com um passeio pela frente da casa, mas na maioria das vezes precisa mexer na terra e ir no balanço para ter uma tarde alegre e tranquila. Tenho certeza que vale a pena todo o esforço para oferecer um quintal aos meus filhos. Numa casa há espaço para criar, observar o mundo no ritmo que cada um consegue assimilar, ver a vida passar seguindo o vôo dos pássaros e perceber o frio chegando não porque todos usam casacos, mas porque as folhas caem.
   As experiências não param. Viver aqui é um eterno descobrir. Ao contrário da paisagem construída pelo homem, a paisagem criada por Deus sempre esta em movimento e sempre nos leva a um novo ciclo. O que esta ao redor penetra na alma e transforma. A natureza preenche sem sufocar, o colorido ilumina sem ofuscar. A música dos pássaros é constante, mas não irritante. Tudo esta em sintonia, a natureza vive em harmonia e é muito bom sintonizar nessa estação, ouvir essa música e ter a alma colorida pelo brilho da natureza. 
   Viver aqui é transformador!



“...Tenho vivido em paz
Voltado a ser criança
E agora, agora e sempre
Terei doces lembranças”


(Simplesmente Viver - Flávia Wenceslau)

quinta-feira, 10 de março de 2016

Ciclos, vivências e estações

   Nossa vida é feita de ciclos, momentos que iniciam e terminam em um determinado tempo. Estações que se modificam a cada por do sol, vivências que mudam enquanto crescemos. Esse é o nosso viver, estar inseridos nesses movimentos, rodando junto, seguindo e permitindo que isto nos transforme e faça-nos ver a vida com outro olhar.
   Aqui em casa procuro treinar meu olhar, coração e pensamento para observar esses ciclos e aprender com eles, especialmente após a chegada das crianças. Desde bebê essa sequência de movimentos é percebida pelo seu desenvolvimento, pela sua superação, compreensão do mundo e mudança constante. E nós adultos temos que nos adaptar e aprender com essas constantes transformações.
   A natureza também mostra seus ciclos através das estações. O cair das folhas, o florescer das árvores, passarinhos cantando, dias mais longos, chuva, sol, frio, calor. E assim também acontece com as comemorações ao longo do ano, que caracterizam nossa cultura: natal, páscoa, festa junina... Épocas onde relembramos histórias, vivenciamos momentos, aprendemos e manifestamos sentimentos. Tudo isso tento passar para meus filhos, ajudando-os a observar e vivenciar um pouco do mundo em que vivemos e daquilo que acreditamos como valores.
   Mas nem tudo é simples de ser compreendido e ai esta o desafio de entrar no mundo da criança e criar historias com elementos palpáveis para que na sua visão de mundo ela consiga perceber esses ciclos e vivencias essas épocas.
   Agora que moramos em uma casa a natureza está muito presente em nossas vidas e ela, por si só, mostra-se para as crianças, que facilmente conseguem perceber suas mudanças.
   Com relação às comemorações do ano, sempre decoramos nossa casa, cantamos músicas e buscamos atividades relacionadas a ocasião para que as crianças participem e entendam o verdadeiro significado das festas, muito além do que o mundo consumista propõe.
   



   Para o Nathan a época mais esperada é o Natal. Ele adora a história do Natal, fazer presentes, decorar a casa e fica triste quando esse momento chega ao fim e temos que desmontar a árvore e o presépio que é feito todo em feltro e decorado com folhas e galhos que ele colhe na natureza. No ano passado tivemos mais mãozinhas ajudando na decoração e como a Ágatha estava maior participou de tudo com mais alegria e interação.    
  
  Para contarmos os dias até a chegada do menino Jesus, preparei um calendário do advento, com vinte cinco bolsinhos bordados e costurados em um feltro. Cada dia de manhã eles abriam o bolsinho correspondente ao dia e encontravam uma surpresa. Algumas delas eu fiz, outras comprei em bazares de natal ou colhi na natureza. E as surpresas eram castanhas, pedras preciosas, enfeites para a árvore, sementes, recadinhos vindos do céu, adesivos para preparar cartões para as pessoas... Foi emocionante acompanhar esses dias e vê-los tão empolgados esperando cada surpresa e guardando-as com tanto carinho. Um momento inesquecível que tornou nosso Natal muito mais especial.

   


   Agora estamos na época da Páscoa e antes mesmo de eu propor algo o Nathan pede por decorações e historias... E essa época transmite muita renovação, começo de um novo ciclo, transformação, mas para as crianças são conceitos abstratos e difíceis de serem compreendidos. Uma forma de ajudá-las nessa compreensão é contar a história da transformação da lagarta em borboleta. 





   E este ano confeccionamos lagartas com restinhos de feltro. Cortei em quadradinho, coloquei uma linha na agulha e o Nathan criou uma família de lagartas. Enquanto isso eu fazia folhas para elas comerem e depois pegamos um galho seco para elas ficarem. Alguns dias depois decoramos a árvore com alguns ovinhos que tinha guardado e modelei coelhos em feltro para passearem pela casa. As crianças brincam muito com todos esses bichinhos e vivenciam a época da Páscoa de uma forma simples, sadia, sem consumismo. Em breve algumas lagartas irão para o casulo e se transformarão em borboletas, deixando a nossa casa ainda mais cheia de vida.
   Também estamos preparando as cestas e os ovos. Por enquanto só fizemos a palha com a casca do milho. Depois faremos a cesta e pintaremos os ovos para presentear as pessoas. As crianças curtem muito vivenciar o processo e isso tem muito mais valor do que comprar tudo pronto e não dar sentido ao que pode ser transformador e enriquecedor para nossas vidas.






  
   E assim vivemos nossos dias... Mostrando as crianças as transformações ao seu redor, situando-as no mundo em que vivem e auxiliando-as a entenderem a passagem do tempo, algo tão abstrato que pode ser vivenciado com muito significado, magia e beleza.
   Esses ciclos da vida nos fazem pensar... Muitas vezes não queremos vivê-los, mas eles acontecem, certamente bem diferente do que imaginamos. Podemos optar por não vivenciá-los e seguir da mesma forma sem passar por mudanças ou rodar junto e ver que a vida é um movimento constante com encaixes, ajustes, surpresas, deslumbramento e descobertas. 

“Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda peão
O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração...”
(Chico Buarque)




















segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Adoçado com amor

   Sempre acreditei que se doar aos outros produz cura, alegria e esperança. Vivenciei isso em grupos, visitas a hospitais, palestras e discussões onde dava de mim, compartilhava minhas experiência, ajudava os outros e também era ajudada. Pois quando doamos de nós, ganhamos em dobro, curamos nossas feridas, resgatamos sentimentos, nos descobrimos e crescemos. O coração fica maior e a alma mais leve.

“Só há um modo de escapar de um lugar: é sairmos de nós.

Só há um modo de sairmos de nós: é amarmos alguém”.
(Mia Couto)


   Hoje fui fazer uma visita, a um bebê recém chegado a esse mundo e a uma recém mãe, grande amiga minha. Um encontro de mães, com emoção no olhar e o frescor de ver tanta perfeição em um ser tão pequeno. Meus filhos encantados com o minúsculo pé, o rostinho pequeno e o umbigo escuro, como disse o Nathan. E eu emocionada ao ver minha amiga de infância, agora mãe.

   Uma visita a ela e aos meus sentimentos e lembranças da maternidade, dos primeiros dias, do primeiro mês, do primeiro filho, da segunda filha... As dificuldades, os acertos, o amor sem fim recém descoberto e a dualidade de sentimentos tão presente nesse pós parto. Ela contando de sua mais nova experiência e eu revivendo as minhas. Em muitos momentos me via ali como ela sentada tentando entender o choro do meu bebê, procurando uma solução dentre as poucas possibilidades que tinha no meu mais novo acervo materno. E por incrível que pareça os desafios dela também foram os meus, os sentimentos dela eu também senti e as soluções só vieram com o tempo, a medida que fui conhecendo meu bebê, me conhecendo, adquirindo segurança e equilibrando minhas emoções para ele também se equilibrar. E esse equilíbrio até hoje busco quando lido com meus filhos e aprendo a lidar com as emoções deles e as minhas.
   Os sentimentos vividos me levaram a reflexões sobre a libertação de sentimentos ocultos e pouco valorizados, a cura de experiências que passei, a aceitação da vida e o que ela me trouxe. Muitas vezes não entendemos porque passamos por certas situações, o que deu errado, o que faltou.  Teoricamente, elas servem para ajudarmos outras pessoas, para nos tornarmos pessoas melhores, para crescermos espiritualmente. Vivencialmente parecem não servirem para nada, apenas para atrapalhar, principalmente por não entendermos seus significados.
    Já consegui ajudar pessoas compartilhando minhas experiências, mas perceber que estou me ajudando, curando minhas feridas ao falar sobre o que vivi e perceber que aquilo produz tranquilidade, confiança e certeza de que o desafio faz parte, que a emoção é natural e que tudo vai melhorar tanto para ela quanto para mim, nunca tinha vivenciado de forma tão intensa.


O assunto foi amamentação, aquele momento desafiador e lindo para mulher, onde ajustes precisam ser feitos para que o bebê aprenda a mamar e a mãe aprenda a se doar e todos fiquem felizes e satisfeitos. Muito vivi e pouco falei sobre isso até hoje, talvez porque ainda viva muito dentro de mim as experiências que passei, mas a credito que a vida nos dá oportunidade de falar, expressar e soltar toda essa vivência para que alcance outros e transforme dentro e fora.
    E hoje me senti transformada ao compartilhar o que passei, o que senti, o que busquei, o que lutei. Enquanto ela tentava acalmar sua filha chorando de fome dando o peito eu e minha mãe nos olhávamos lembrando da minha luta para que o peito fosse o único alimento da minha filha. Enquanto ela tentava entender o choro do seu bebê, eu lembrava das noites em que minha filha chorava e eu achava que era cólica, sono, birra e ao final de um mês buscando inúmeras explicações descobri que era fome, por conta do seu baixo peso, pois ela não pegava o seio corretamente, passava fome, mesmo eu tendo leite de sobra para ela.

    Nunca imaginei que passaria por essa experiência, afinal amamentar parece ser algo tão simples e básico para uma mãe. Nunca imaginei que sentiria tanta dor por não amamentar minha filha e que para alimentá-la precisaria oferecer um bico de silicone, um recipiente de plástico e um pó misturado com água cheio de açúcar. Acredito muito na amamentação, nos benefícios do leite materno e no vínculo da mãe com o bebê. Lutei incansavelmente durante 45 dias, visitando bancos de leite, recebendo orientação de doula, utilizando de todas as técnicas que me ensinaram. Abandonei meu filho e meu marido, gastei minhas forcas até chegar a um esgotamento emocional. Fui até onde minha determinação e meu coração levaram-me. Mas ela se incomodava ao mamar e até hoje não sei por quê. Após esse dia decidi dar mamadeira com o leite materno que consegui bombear por mais algumas semanas e com a fórmula. Depois desse dia o choro diminuiu, ela se acalmou e voltamos a ser uma família, com remendos, resgate de vínculos e reconstrução de sentimentos. As mamadeiras eram dadas com sofrimento, e demorei a aceitar que aquela forma de alimentar minha filha também oferecia a ela vínculo, amor e sustento para seu crescimento emocional.
    Tudo que vivi foi intenso, doloroso e inesquecível. Acredito que existem muitas formas de curar nossas feridas, com remédios, terapias, experiências espirituais, grupos de apoio, encontros... Entretanto a vida nos oferece oportunidades de darmos de nós para os outros e isso cura tanto o outro como a si mesmo. Nada melhor do que um gesto de amor, empatia e amizade, um ouvido atento para escutar, um olhar para ver o coração e tempo.  

    Quando olhamos para as flores no caminho temos a oportunidade de ver alem das pedras e perceber que há beleza na dor do caminhar. Se observarmos a vida nos oferta com lindas flores para que passemos pelas pedras e sigamos em frente.
     Uma tarde libertadora, onde a angustia de uma nova mãe, com sentimentos confusos, informações cruzadas, bebê chorando e o aprendizado da amamentação trouxeram para mim um reflexo de como fui e do que ainda há dentro de mim a respeito do que vivi. Além da oportunidade em compartilhar o que senti e estar certa de que desafios alheios podem me fazer superar obstáculos, alcançar vitorias, libertar sentimentos e reconhecer que as dificuldades tem um significado, uma razão para existir.

“...da flor esmagada, se obtém o perfume
Dos sonhos quebrados, o amor que nos une,
Do favo espremido, o mais puro mel
Esquecer de si mesmo, leva aos prazeres do céu...”
(Vento Selvagem – Estevão)


    Uma tarde onde ela aprendeu a slingar e ficar mais próxima e aconchegada do seu bebê com o presente que levei e eu aprendi o sabor amargo pode ser transformado em doce se for adoçado com amor.


    Gabi, a você um agradecimento por essa amizade e pela oportunidade em te conhecer como mãe!